No Radar do Epays: notícias que movimentaram o mundo do trabalho – 24 a 30 de agosto 2026

Escala 6x1, mercado de trabalho, bets, uberização e transparência salarial estão entre os principais assuntos que o RH precisa acompanhar.

O mundo do trabalho passou por uma semana movimentada. Entre mudanças que ainda estão em discussão no Congresso, novos números do mercado de trabalho e decisões que podem influenciar as relações entre empresas e trabalhadores, cinco assuntos ganharam destaque.

Nesta edição do No Radar do Epays, reunimos os principais acontecimentos e explicamos o que eles representam para empresas, profissionais de RH e Departamento Pessoal.

E se você prefere ouvir as notícias em vez de ler, dê o play no episódio desta semana do No Radar do Epays.

1. Escala 6x1 avança no Senado e proposta prevê jornada de 40 horas semanais

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força novamente nesta semana.

A PEC 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim do modelo de seis dias trabalhados para um dia de descanso, avançou no Senado. O relatório apresentado pelo senador Omar Aziz manteve o texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força novamente nesta semana.

A PEC 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim do modelo de seis dias trabalhados para um dia de descanso, avançou no Senado. O relatório apresentado pelo senador Omar Aziz manteve o texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados.

A proposta estabelece a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além da garantia de dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial.

O texto prevê uma implementação progressiva, com redução inicial da jornada e posterior chegada às 40 horas semanais.

Mas existe uma informação fundamental: a proposta ainda não está em vigor.

A PEC ainda precisa passar pelas etapas de votação no Senado. Para ser aprovada, uma proposta de emenda à Constituição precisa obter o apoio necessário dos senadores em dois turnos de votação.

O tema também divide opiniões.

Enquanto trabalhadores e entidades sindicais defendem a redução da jornada como forma de melhorar qualidade de vida e ampliar o tempo de descanso, representantes empresariais questionam possíveis impactos sobre custos, produtividade e funcionamento de determinados setores.

Para o RH, o mais importante neste momento é acompanhar a tramitação.

Caso a mudança seja aprovada, empresas poderão precisar revisar escalas, jornadas, banco de horas, dimensionamento de equipes, custos de pessoal e modelos de operação.

Em resumo: ainda não é momento de mudar as escalas, mas já é momento de entender o possível impacto da mudança.

2. Brasil cria 58,5 mil empregos formais em julho

O mercado de trabalho brasileiro continuou apresentando saldo positivo em julho.

Segundo o Novo Caged, foram criados 58.568 postos de trabalho com carteira assinada no mês, resultado de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos.

Com esse resultado, o país acumulou 972.203 novos empregos formais entre janeiro e julho de 2026, com crescimento de 2,06%.

O estoque total chegou a aproximadamente 48,08 milhões de vínculos formais.

Apesar dos números positivos, existe um sinal de atenção: o ritmo de geração de empregos desacelerou.

O saldo de julho foi 56,3% menor que o registrado no mesmo mês de 2025.

Entre os setores, os serviços foram destaque, com a maior geração de vagas. Construção civil e agropecuária também apresentaram saldo positivo.

Já o comércio teve desempenho negativo, com perda de 2.056 postos formais em julho.

O cenário mostra um mercado ainda gerando empregos, mas em ritmo mais moderado.

Para o RH, acompanhar esses dados ajuda a compreender movimentos de contratação, disponibilidade de profissionais e tendências de diferentes setores da economia.

3. Bets e justa causa: onde termina a falta grave e começa a questão de saúde?

As apostas online também chegaram ao ambiente de trabalho — e estão criando uma questão delicada para empresas e profissionais de RH.

A CLT prevê, no artigo 482, a prática constante de jogos de azar como uma das hipóteses que podem justificar a dispensa por justa causa. O material do Epays destaca essa previsão e chama atenção para a necessidade de análise do caso concreto.

Mas existe uma questão cada vez mais relevante: e quando a prática de apostas está relacionada à ludopatia, também conhecida como transtorno do jogo?

A Justiça do Trabalho já começa a receber casos envolvendo trabalhadores diagnosticados com o transtorno.

Recentemente, uma decisão da Justiça do Trabalho anulou a justa causa aplicada a uma funcionária da Caixa Econômica Federal que havia sido acusada de utilizar cartões de clientes e realizar movimentações financeiras em benefício próprio. A decisão considerou o contexto de problemas psiquiátricos e o diagnóstico de ludopatia apresentado no caso.

Isso não significa que a ludopatia impeça automaticamente uma justa causa.

A questão é justamente analisar qual foi a conduta, sua gravidade, a existência de provas, a habitualidade, o impacto no trabalho e a proporcionalidade da punição.

A própria documentação desta edição destaca que a justa causa é a penalidade máxima e exige comprovação, enquadramento legal, gravidade, proporcionalidade, contexto, histórico e imediatidade.

Por isso, diante de uma situação envolvendo apostas, o RH precisa evitar decisões automáticas.

É necessário investigar os fatos, reunir provas, verificar as políticas internas, avaliar a repercussão da conduta e considerar se existem elementos relacionados a uma possível condição de saúde.

A pergunta antes da justa causa deve ser: existem fundamento legal, provas e proporcionalidade suficientes para aplicar a penalidade máxima?

Essa análise é fundamental para reduzir riscos trabalhistas.

4. STF adia julgamento sobre vínculo de trabalhadores de aplicativos

A chamada uberização continua no radar do Direito do Trabalho.

O Supremo Tribunal Federal adiou a retomada do julgamento que discute a validade de decisões da Justiça do Trabalho que reconheceram vínculo de emprego entre trabalhadores de aplicativos e plataformas digitais.

A sessão estava prevista para esta semana, mas o plenário decidiu priorizar outro julgamento relacionado ao Marco Civil da Internet. Uma nova data para a análise da questão ainda não foi definida.

O julgamento envolve casos relacionados a plataformas como Uber e Rappi e coloca em discussão um dos principais dilemas do trabalho por aplicativos: o trabalhador é autônomo ou existe uma relação de emprego?

No centro da discussão estão conceitos como autonomia, subordinação e os elementos que caracterizam uma relação trabalhista.

A decisão do STF poderá ter impacto significativo sobre processos que tramitam na Justiça do Trabalho e sobre a forma como empresas e plataformas estruturam suas relações com trabalhadores.

Para o RH, a discussão também representa algo maior: o mercado de trabalho está mudando, e os modelos tradicionais de contratação precisam conviver com novas formas de prestação de serviços.

O julgamento foi adiado, mas continua sendo um dos assuntos mais importantes para acompanhar no Direito do Trabalho.

5. Transparência Salarial: prazo para atualização do 6º relatório termina em 31 de agosto

Para as empresas obrigadas a cumprir as regras de transparência salarial, este é um ponto de atenção imediato.

Empresas com 100 ou mais empregados tiveram de atualizar, entre 3 e 31 de agosto, as informações necessárias para a elaboração do 6º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios.

A atualização é realizada pelo Portal Emprega Brasil e contempla informações relacionadas aos critérios remuneratórios, ações de promoção da diversidade e iniciativas de apoio à família e à parentalidade.

O relatório está previsto na Lei nº 14.611/2023 e possui periodicidade semestral.

Para o RH, o momento exige conferência e atenção aos dados.

É importante garantir que as informações solicitadas tenham sido preenchidas corretamente e que não existam inconsistências nos dados utilizados para a elaboração do relatório.

O material do Epays reforça justamente o alerta para que os dados tenham sido atualizados corretamente antes do encerramento do prazo.

O que o RH precisa levar desta semana?

As cinco notícias mostram que o cenário trabalhista está passando por transformações importantes.

A discussão sobre a escala 6×1 pode alterar jornadas e modelos de operação.

Os dados do Novo Caged mostram que o emprego formal continua crescendo, mas em ritmo mais moderado.

As bets colocam novos desafios para a gestão disciplinar e para a análise de questões relacionadas à saúde do trabalhador.

A uberização mantém aberta a discussão sobre o conceito de vínculo de emprego diante dos novos modelos de trabalho.

E a transparência salarial reforça a necessidade de empresas estruturarem processos cada vez mais organizados e consistentes de gestão de pessoas e remuneração.

Para o RH, acompanhar essas mudanças deixou de ser apenas uma questão de informação.

É uma forma de antecipar riscos, preparar processos e tomar decisões mais estratégicas.

🎧 Quer ouvir em vez de ler?

Esta foi a edição desta semana do No Radar do Epays — o seu resumo das principais notícias que movimentaram o mundo do trabalho.

No episódio, você pode acompanhar esses cinco assuntos de forma rápida e objetiva, com os principais pontos que todo profissional de RH e Departamento Pessoal precisa conhecer.

Dê o play e fique no radar.

No Radar do Epays. O que movimenta o mundo do trabalho, a gente traz até você.

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